sábado, 9 de outubro de 2010

RAÍZES DO ROCK N’ ROLL - parte 12 (CONJUNTOS VOCAIS )


No capítulo desse mês das raízes do rock n’ roll consta uma vertente nem tão valorizada como sendo uma das raízes de um estilo musical que é calcado na guitarra, muitas dessas vezes na guitarra distorcida. Mas a verdade é que os grupos vocais tem uma ligação direta com o rhythm n’ blues e com o gospel. O primeiro e mais expressivo ‘instrumento’ musical a chamar a atenção no blues foi a voz. Instrumento esse que se mostrava limitado por conseguir atingir apenas uma nota de cada vez. Problema que foi resolvido quando da criação dos grupos vocais. Eram várias vozes se harmonizando umas com as outras. Essa foi uma inovação renascentista adotada com veemência pelos negros (e brancos em menor número) americanos na virada do século XIX para XX. Um gênero criado nessa época foi o barbershop harmony praticado em salões de barbeiro! Os grupos mais famosos dessa época são o The Revelers e o Norfolk Jazz Quartet. Nas décadas seguintes surgiram os grupos vocais que dispensavam o uso de instrumentos, pois faziam o som dos mesmos com a própria voz. O principal exemplo de tal façanha é o Mills Brothers atuante entre 1930 e 1950. Em seguida surgiu o famoso Ink Spots, provável grupo a ter criado ou fortalecido a maneira de cantar onde alguns cantores da base se limitavam a fazer os famosos coros de fundo ‘aaahhh’ e ‘uuuhhh’. O rei do rock Elvis Presley gravou duas de suas canções em seu primeiro long-play. No fim da década de 40 surgiu o principal estilo dentro dos grupos vocais, o doo-wop, adotado até os dias de hoje por grupos como Manhattan Transfer e Take 6. O doo-wop se caracterizava por usar sons vocais, alguns em falsete, sem muita definição de palavras. Os principais nomes são The Clovers e The Ravens. Curiosamente quem ajudou a divulgar o doo-wop foi o famoso DJ Alan Freed que citava muitos desses grupos como rock n’ roll, provavelmente pela ligação que mantinham com o gospel e o r&b. Tal apoio foi o suficiente para surgirem novos nomes que viraram referencia para as décadas seguintes: The Platters, The Drifters, Frankie Lymon & The Teenagers e The Five Royales. Todos esses conjuntos vocais foram e são influencia para todos os grupos de pop e rock, surgidos desde então, que tinham em sua formação pelo menos dois de seus membros cantando: Bee Gees, Beach Boys, Beatles, etc.

*Rodrigo Lee é musico e admirador de rock n’roll e suas vertentes

sábado, 10 de julho de 2010

RAÍZES DO ROCK N' ROLL - parte 11 (PAÍSES ORIENTAIS)


*por Rodrigo Lee
rodrigo_lee@hotmail.com

Por mais que possa não parecer, o lado ‘destro’ do mapa-mundi contribuiu para o desenvolvimento do que hoje conhecemos como Rock n’ Roll. O homem sempre se interessou pelos mistérios que vinham da Índia. E com a cultura e a arte não foi diferente. Musicalmente o sistema de escalas indiano, executado principalmente por um instrumento chamado ‘sitar’, é no mínimo estranho, exótico, hipnótico e até engraçado. E ainda muitas vezes esse tal sistema só era assimilado pela mente ocidental com o adendo de substancias proibidas! Nos anos 30 George Formby, um famoso humorista britânico, usou em forma de imitação as escalas indianas em sua paródia “Hindoo Man”. Na década de 60 os músicos ingleses fizeram uso constante dessas influencias em suas canções. Quem mais se aproveitou comercialmente da onda indiana foi o guitarrista George Harrison que desde os tempos de sua famosa banda já flertava com o estilo e se aproximou do mestre da sitar Ravi Shankar (1920/...), com quem trabalhou constantemente até os anos 80. Harrison inclusive se envolveu com os costumes e a religiosidade indiana.
A musicalidade japonesa e a chinesa pouco atraiu os roqueiros. Ainda assim, vez por outra identificamos algumas escalas chinesas na música ocidental e o uso de instrumentos de percussão como o ‘gongo’. Um instrumento japonês chamado ‘kotô’ já foi usado pelo guitarrista Brian May. O ‘kotô’ inspirou inclusive o nome de um grupo paulista dos anos 80, Okotô, que tinha em sua formação uma cantora japonesa. Ryuichi Sakamoto e Yoko Ono são os nomes mais importantes e influentes da música japonesa moderna. Mas a verdadeira influencia e inspiração é contrária. Os japoneses demonstram verdadeira adoração pela música ocidental, independente de estilo. O principal exemplo é o de uma banda chamada Loudness que fez um relativo sucesso na década de 80 e que foi inspirada pelo hard-rock americano de Kiss e Van Halen.
A música Árabe, assim como a nipônica, pouco influenciou o Rock n’ Roll e apenas se fundiu a ele com o passar dos anos. Já as famílias dos judeus deram ao mundo grandes nomes que trouxeram um pouco da característica melancólica de sua música para o ocidente. Os nomes mais conhecidos aqui no lado esquerdo do mapa-mundi são: Paul Simon, Art Garfunkel, Carole King e Carly Simon. Nomes esses que fizeram parte de um movimento chamado Biter Sweet Music, do qual falarei mais a frente. Long Live Rock n’ Roll!
*Rodrigo Lee é músico e admirador de Rock n’ Roll e suas vertentes.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

PLACEBO




No ultimo mês de abril fui a um show de uma das melhores bandas das ultimas décadas. Muito se fala nas bandas dos anos 60, 70 e 80, mas se esquecem que nos anos 90 apareceram algumas bandas que se não estão entre as melhores de todos os tempos, pelo menos estarão prá sempre nos livros de rock n’roll de um futuro bem próximo. Só prá citar algumas: Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Oasis e Blur. E lá pro fim da mesma década surgiu em Londres um trio formado por um suíço, um inglês e outro americano: Placebo. Com influências indiretas de pós-punk e diretas de The Cure, Smashing Pumpkins e David Bowie, o Placebo foi crescendo com o passar dos anos e sendo chamado para abertura de shows de grandes nomes do rock mundial como o já citado David Bowie e U2. A música que os tornou conhecidos do grande publico é Every You Every Me, presente em seu segundo CD e também na trilha sonora do filme americano ‘Segundas Intenções’. Tendo trocado de baterista em três ocasiões, a banda tem na dupla Brian Molko e Stefan Olsdal seu ponto forte. Os dois se revezam, cada um, em no mínimo dois instrumentos nos estúdios e nos shows, e ficam a cargo ainda das composições. Os temas passam por vários momentos depressivos expondo o lado mais lúgubre da vida e em outros o lado mais pop aflora, sobretudo no sétimo e ultimo disco ‘Battle For The Sun’, que foi a base do repertório de vinte músicas apresentado no Brasil. O lado curioso do show dos caras foi a variedade de “tribos” presente no ambiente. Podia se ver por todos os lados grupos de punk, góticos, emos, headbanger`s e ainda pessoas “normais”. Quem não ainda não ouviu ou simplesmente nunca se interessou em conhecê-los vale a pena dar uma chance aos ouvidos. Long Live Placebo!

quarta-feira, 17 de março de 2010

RAÍZES DO ROCK N' ROLL - parte 10 (ITÁLIA)


(publicado no jornal O Grillo - Unimed)
*por Rodrigo Lee
rodrigo_lee@hotmail.com

Esse mês falarei de mais um estilo que influenciou o Rock n’ Roll, a música italiana. Sim, esqueçamos das músicas melancólicas e quase bregas de nomes como Peppino di Capri e voltemos a ‘Love me Tender’, clássico na voz de Elvis Presley, que nada mais é do que a versão americanizada de ‘O Sole Mio’, canção napolitana de 1899. E também, Enrico Caruso (1873/1921)(foto), o primeiro artista mundial a vender mais de um milhão de discos. Isso ocorreu em 1903! Outros tenores italianos também tiveram seus nomes imortalizados pelo tempo e por sua qualidade musical: Gino Becchi (1914/1993) e Domenico Modugno (1928/1994). Esse último foi o primeiro italiano a alcançar o número um da famosa parada da Billboard em 1958 com ‘Volare’, regravada tempos depois por David Bowie. E dentro do pop-americano, que citei há dois meses, estão vários artistas descendentes de italianos: Frank Sinatra, Dean Martin, Perry Como, Tony Bennett e claro, Mário Lanza (nascido Alfred Cocozza). Alguns estudiosos do Jazz sugerem inclusive que os melhores jazzistas brancos foram os italianos. Um deles foi Nick LaRocca (1880/1961), líder da Original Dixieland Jazz Band que supostamente gravou o primeiro disco de Jazz da história, `Darktown Strutters’Ball` em 1917.
Houve ainda nos anos 60 o chamado Italo-American Rock dos cantores Freddy Cannon, Connie Francis, Bobby Darin, Dion DiMucci e Annete Funicielo e dos grupos The Young Rascals, The Belmonts, Joey Dee & The Starlighters e Jay & The Americans. Na mesma década surgiram alguns cantores de vozes melodiosas e ‘empostadas’ que se destacaram tanto na América do Norte como no Brasil e Argentina: Sergio Endrigo, Gianni Morandi, Nico Fidenco e também Rita Pavone e The Rokes que faziam um pseudo-rock que durou um certo tempo e que arrastava um grupo fiel de admiradores por onde se apresentavam.
Outro grande destaque musical italiano é o renomado Festival de San Remo que desde os anos 50 leva artistas do mundo todo para se apresentarem por lá. Em uma das edições do festival Roberto Carlos imortalizou a música ‘Canzone Per Te’.
A Itália ficou um tempo sem revelar nenhum artista de destaque mundial até surgir na década de 90, Laura Pausini, de quem Renato Russo da Legião Urbana pegou emprestadas algumas músicas prá seu próprio repertório solo.
É isso. Até o mês que vem! Long Live Rock n’ Roll!!!
*Rodrigo Lee é músico e admirador de Rock n’ Roll e suas vertentes.

quarta-feira, 3 de março de 2010

RAÍZES DO ROCK N' ROLL - parte 9 (AMÉRICA LATINA)


(Publicado no Jornal O Grillo - Unimed) por Rodrigo Lee*
rodrigo_lee@hotmail.com


Chamados pejorativamente de ‘música de quarto mundo’ o Calipso, o Beguine, a Salsa e o Tango são dos estilos musicais mais relevantes de todos os tempos e muito importantes na história do Rock n’ Roll .
O Calipso existe há mais de 100 anos e surgiu na ilha de Trinidad com a mescla de ritmos africanos, venezuelanos e ainda alguma influencia de música inglesa e francesa. Em meados de 1900 o dialeto local deu espaço para o inglês e assim surgiram alguns nomes como Lord Kitchener (1921/2007) e Harry Belafonte (1927/...-foto), americano que morou um tempo na Jamaica e assimilou sua sonoridade. Belafonte atua até hoje como músico, arranjador e produtor, e é referencia mundial em ritmos latinos difundidos nos USA.
O Beguine surgiu na Martinica no inicio do século passado e também foi disseminado pelos Estados Unidos e Europa. A música-simbolo do estilo é a quase homônima ‘Begin The Beguine’ de Cole Porter, gravada ao longo dos tempos por inúmeros artistas.
Dentre os ritmos de Cuba, a Salsa é o que mais influenciou o Rock n’Roll. O seu grande expoente é a cantora Célia Cruz (1925/2003). Algumas músicas são famosas pela mistura com o ritmo cubano: ‘Mambo Rock’ de Bill Haley, ‘Tequila’ dos Champs, ‘And I Love Her’ dos Beatles, além de várias composições do guitarrista mexicano Carlos Santana.
Apesar dos rumores de que os uruguaios tenham sido os criadores do vigoroso tango, surgido no final do século XIX e executado nos prostíbulos de Montevidéu, são os nossos hermanos argentinos os responsáveis por difundir o estilo que correu o mundo, contagiando o americano Chubby Checker, que lançou o tango-twist com a música ‘It Takes Two To Tango’. Frank Zappa também ‘brincou’ com a música argentina em duas de suas composições: ‘Be-Bop Tango’ e ‘The Sheik Yerbouti Tango’.
Do Brasil para o mundo saíram dois ritmos: o baião e o samba. Nas décadas de 40 a 60 era comum perceber pequenas influencias brasileiras em algumas musicas de Chuck Berry, e também em alguns momentos do rock inglês. Em seguida veio a Bossa Nova. Mas, isso é um assunto prá outra hora. Até o mês que vem. Long Live Rock n’ Roll!
*Rodrigo Lee é músico e admirador de Rock n’Roll e suas vertentes.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

BEYONCÉ!!!


(publicado no Jornal Brand News e no Jornal da Segunda)

Beyoncé Knowles é a melhor cantora do mundo hoje em dia! Sim, tecnicamente, das cantoras do meio pop-mundial ela bate todas suas concorrentes. Em termos de espetáculo seu show já era a três anos quase insuperável em produção, possivelmente equiparado apenas ao espetáculo apresentado por Madonna. Desde o primeiro lançamento solo, logo após sua saída do bem sucedido trio Destiny’s Child, Beyoncé vem mostrando sua força. Dona de um corpo poucas vezes visto no mainstream, ela abusou e muito de sua condição privilegiada, inclusive atuando como atriz em produções ‘hollywoodianas’ e se apresentando em uma edição do Oscar. A partir de seu segundo disco, ‘B’Day’ ela passou a valorizar seu lado vocal e consequentemente seu show virou um dos espetáculos mais caros e produzidos do planeta, ancorados pelas composições multi platinadas Deja Vu, Irreplaceable e Beautiful Liar. Contando com a ajuda na produção, composição, arranjo e tudo o mais de seu marido, o quase onipresente rapper Jay Z, a condição de diva foi se encaixando perfeitamente a Beyoncé Knowles. Após ter passado pela prova do lendário e temível segundo CD, a cantora e dançarina americana teria que se provar relevante não só para a black-music mas para todo o mundo pop. E, ela conseguiu! No terceiro disco, ‘I Am...Sasha Fierce’ veio a superação. São dois discos distintos, um ‘for heart’ e outro ‘for body’. No CD de baladas o destaque é Halo, primeiro lugar das paradas no mundo todo e no outro CD a canção de destaque é Single Ladies que conta com um clip executado a exaustão em canais de música como a MTV. E isso se dá muito por conta de uma dança frenética e inovadora apresentada pela diva, assim como já havia acontecido com Crazy in Love presente em seu primeiro disco. Desde Whitney Houston não se via, ou ouvia uma cantora com tamanha técnica vocal e presença de palco. As cantoras de rhythm n’blues a partir dos anos 90 começaram achar que para cantar e interpretar bem era só, ora gritar, ora gemer! Sim, em algumas situações isso funciona, mas o não o tempo todo. Só prá citar um exemplo, Mariah Carey canta e sempre cantou bem, no entanto desde o inicio de sua carreira deu ênfase à parte gritada de suas músicas e o resultado é que hoje em dia ela já não alcança mais as notas altas que suas canções pedem. Voltando a Whitney Houston, bom, ela se perdeu em sua vida particular conturbada, o que afetou sua música e cordas vocais. Possivelmente isso não a fez manter o título de melhor cantora do mundo. O planeta ficou então órfão de grandes intérpretes femininas e abarrotado de cantoras que, explorando seu alcance vocal, gritavam cada vez mais alto e agudo! Ao contrário de muitas bandas e cantores solo que apresentam ao seu publico uma superprodução de luzes e efeitos especiais, que em vários momentos mascaram a falta de técnica e presença dos mesmos, Beyoncé puxa prá si toda a atenção. Seus músicos são excelentes, mas ficam em segundo plano, os efeitos especiais são de ultima geração, mas não ofuscam a estrela principal. Beyoncé canta, dança e se comunica com seu publico como se estivesse na sala de sua casa. Seu ultimo trabalho é um CD duplo e um DVD com a gravação de uma apresentação em Las Vegas. No show Beyoncé flerta com estilos que possivelmente fujam um pouco de seus trabalhos anteriores, como o Jazz. Ë uma apresentação semi-acústica que exige da própria muita técnica vocal. E... ela surpreende até os mais céticos em relação ao seu trabalho. Definitivamente ela é hoje em dia a maior show-woman do planeta! Long Live Beyoncé!

domingo, 10 de janeiro de 2010

RAÍZES DO ROCK N' ROLL - parte 8 (AMERICAN-POP)


(publicado no Jornal O Grillo - Unimed)


por Rodrigo Lee*
rodrigo_lee@hotmail.com

Chegamos esse mês ao American-Pop que sofreu influencias diretas da Afro-Music. Portanto não é tão simples assim dissociar um do outro.
Os americanos sempre tiveram uma grande vocação para o entretenimento. A vida noturna e shows na ‘América’ desde muito cedo estiveram em voga. E muito disso se deve a cultura negra, adaptada para o consumo branco desde os “minstrel shows” do século XVIII. Em 1767 um jornal nova-iorquino noticiou uma ‘dança de negros a caráter’. Na verdade eram brancos que pintavam seus rostos e se misturavam a alguns negros de verdade e executavam a chamada música dos “shows de menestréis”. O tempo passou e no inicio do século XIX surgiram as primeiras composições legitimamente americanas com Stephen Foster e Daniel Emmett. É inclusive de Emmett a autoria de ‘I Wish I Was In Dixie’s Land’ que foi regravada por Elvis Presley e chegou a dar nome a uma região do sul dos EUA. Em meados do século o minstrel-show foi trocado pelo vaudeville, espetáculo itinerante mais amplo que incluía animais, atores, comediantes, dançarinos e até lutas de box(!). Boa parte dos grandes comediantes dessa época, foram revelados no vaudeville. Até esse momento um cantor/ator chamado Al Jolson (1886/1950) resistia à ‘cara pretejada’ e explorou a já datada formula minstrel quase até o fim de sua vida.
Já mais adiante surgiram grandes nomes relacionados a musica pop e que se tornaram influencia direta prá tudo o que seria feito dentro da música americana nas próximas décadas: Rudy Vallee (1901/1986), Bing Crosby (1903/1977), Perry Como (1912/2001), Johnny Ray (1927/1990), Dean Martin (1917/1995) e Frank Sinatra (1915/1998). É nessa época que surge a expressão crooner para os cantores que interpretavam as canções com suavidade, deixando assim as letras mais claras e audíveis.
São considerados ainda grandes nomes do pop-americano compositores que quase sempre faziam suas músicas para trilhas sonoras de filmes e peças da Broadway. Entre eles estão: Oscar Hammerstein II (1895/1960), Jerome Kern (1885/1945), Richard Rodgers (1902/1979), George Gershwin (1898/1937), Ira Gershwin (1896/1985), Mitchel Parish (1902/1993), Irving Berlin (1888/1989), Cole Porter (1891/1964). Muitas das composições destes artistas foram regravadas por nomes como Elvis Presley, Janis Joplin, Rod Stewart e George Harrison.
Até o mês que vem. Long Live Rock n’Roll!

*Rodrigo Lee é músico e admirador de Rock n’Roll e suas vertentes.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ANOS 80. DÉCADA PERDIDA?


por Rodrigo Lee

Os economistas e outros pseudo-pensadores disseram durante muito tempo que os anos 80 foram a década perdida. Perdida em que sentido?
Na moda a ambigüidade mostrava sua cara, provavelmente impulsionada pela abertura democrática. Não consigo ver tal ambigüidade de maneira negativa excetuando talvez os costumes da mesma. A verdade é que tal movimento expunha peças esportivas de lycra e moletom em cores alegres e divertidas e em outros momentos a moda era ousada e sensual. Estilistas que se destacaram na época são referencias na moda até os dias de hoje e provavelmente serão durante muitas décadas posteriores a que vivemos. Só pra citar alguns: Jean Paul Gaultier, Christian Lacroix, Karl Lagerfeld, Giorgio Armani, além dos orientais Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo que optavam pela simplicidade destoando um pouco de alguns exageros dos ocidentais. ‘Década perdida?’ hahaha
Nos esportes tínhamos os melhores jogadores de futebol do mundo (Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo). Nossa seleção não levou nenhuma copa, apesar de dar espetáculo. No entanto Grêmio e Flamengo foram campeões mundial-interclubes. No vôlei, tanto masculino quanto feminino o Brasil se destacou em mundiais e olimpíadas. No basquete masculino e feminino éramos referencia sul-americana com Oscar, Marcel, Hortência e Paula. No atletismo tínhamos Joaquim Cruz e Zequinha Barbosa. Lá fora outros esportistas brasileiros são lembrados e seguidos pelos atuais como ídolos eternos. ‘Década perdida?’ hahaha
Na música brasileira houve um providencial rompimento com aquela música adulta-deprê e castrativa de medalhões baianos e cariocas. Algumas bandas chegaram metendo o pé na porta falando de amor, sexo, diversão e outras normalidades cotidianas com uma linguagem mais abrangente e nada elitista. A Blitz e o Kid Abelha falavam de amor com leveza. Dr. Silvana, Ultraje a Rigor, Léo Jaime e Eletrodomésticos falavam de sexo com humor. Legião Urbana, Capital Inicial, Titãs e Lobão falavam de política, policia e drogas sem medo de uma falsa auto-indulgência e sem o pretenso “cabecismo” de outrora. Isso tudo era direcionado principalmente para adolescentes que até então tinham que se contentar com as bandas filhas do Clube da Esquina, do Tropicalismo e da Vanguarda Paulista:14 Bis, A Cor do Som e Joelho de Porco respectivamente. Outros nomes fizeram a cabeça da juventude da época como: Gang 90, Barão Vermelho, Ritchie, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, Ira!, Metrô e RPM. Esse último transformou o Brasil em um quintal próprio. Se divertiram de norte a sul em shows concorridos e invariavelmente lotados. O seu segundo disco, ‘Rádio Pirata’ vendeu mais que os até então “inalcansáveis” Roberto Carlos e Xuxa(!). ‘Década perdida?’ hahaha Na música mundial sugiram os reis e príncipes do pop que estão até hoje segurando o cetro devido à falta de criatividade, inventividade e capacidade dos músicos e músicas produzidas à partir da década de 90. Madonna é a rainha do pop até os dias atuais. Não me venham falar de Britney Spears, Christina Aguilera, Jennifer Lopez e Beyoncé. Elas tentaram mas... a única que esboçou tomar a coroa de Madonna foi Britney. Porém, sua falta de estrutura familiar e emocional não permitiram que a loirinha chegasse aos pés de Madonna que, sim, também nunca teve estrutura financeira e nem familiar, mas foi persistente e acreditou em si mesma como ninguém. Michael Jackson pós-Thriller não conseguiu seguir os mesmos passos de Madonna? É verdade, não agüentou o sucesso e olha que ele também tinha muitos problemas familiares. A questão é: porque ela agüentou o tranco e os outros não? Ainda assim, depois de Jackson, Prince e U2 quem mais surgiu nos últimos vinte e cinco anos que possa ter esboçado alguma revolução na musica mundial? Resumindo, não temos hoje um rei do pop vivo, mas rainha, sim. Sexo frágil é??? Muitos do sexo forte sucumbiram ao sucesso, Axl Rose, Sebastian Bach,... Sem dizer os que deram cabo da própria vida: Ian Curtis, Kurt Cobain e Michael Hutchence. Quanta coisa significativa aconteceu em dez anos ou pouco mais. ‘Década perdida?’ hahaha

domingo, 8 de novembro de 2009

RAÍZES DO ROCK N' ROLL - parte 7 (R&B e UK MUSIC)


(publicado no Jornal O Grillo - Unimed) por Rodrigo Lee*
rodrigo_lee@hotmail.com

Esse mês falarei de dois estilos musicais pré Rock n’ Roll, separados pelo Oceano Atlantico: o Rhythm & Blues e a pouco ou quase nada divulgada, porém muito importante e relevante, UK Music.
R&B nada mais é do que a abreviação de Rhythm & Blues, estilo proveniente do Blues com a marcação do ritmo mais acentuada tornando-o mais vibrante e dançante. O R&B se firmou no final dos anos 30 como um ritmo urbano com o impulso das big bands de Duke Ellington e Count Basie. No entanto foi em 1949 que tal ritmo foi nomeado como tal pelo critico e produtor musical Jerry Wexler. Alguns dos maiores nomes do Rhythm & Blues são: Louis Jordan (1908/1975), Elmore James (1918/1963), Willie Dixon (1915/1992), Howlin’ Wolf (1910/1976), Muddy Waters (1915/1983) e Big Joe Turner (1911/1985). E foi exatamente ouvindo Joe Turner que o famoso DJ Alan Freed se empolgou e resolveu rebatizar o R&B. O nome dado por Freed foi... Rock n’ Roll. Muito se fala sobre a não importância musical de um DJ, porém possivelmente se Alan Freed não tivesse se movimentado e trazido o futuro Rock n’ Roll para as grandes massas, hoje em dia esse estilo estivesse limitado a pequenos e restritos guetos. Aos poucos o Rock n’ Roll trilhou seu próprio caminho dando espaço para que o Rhythm & Blues continuasse o seu.
Possivelmente os britânicos tenham tomado (e mantido) o reinado do Rock n’ Roll das mãos dos americanos lá pelos anos 60 quando da Britsh Invasion. No entanto sua habilidade e criatividade musical é conhecida desde o inicio do século passado. É que fragilizada pelas duas guerras mundiais e com a auto-estima em baixa, os ingleses perderam “espaço-artístico-cultural” para os EUA. Poucos são os nomes de destaque mundial dessa época: George Formby (1904/1961), Gracie Fields (1898/1979) e Vera Lynn (1917/...).
A Irlanda também tem seu papel na história do pré-Rock n’ Roll. Seus artistas mais ilustres e venerados com todo aquele fanatismo já conhecido dos irlandeses são: os compositores Harry Lauder (1870/1950) e Victor Herbert (1859/1924), que se mudou para os Estados Unidos onde se projetou com os grandes hits: ‘Ah! Sweet Mistery of Life’, ‘A Kiss in The Dark’ e ‘Indian Summer’. É creditada também a Herbert a autoria de ‘Babes in Toyland’, uma opereta que virou filme do Gordo & Magro.
Até o mês que vem. Long Live Rock n’ Roll!

*Rodrigo Lee é músico e admirador de Rock n’Roll e suas vertentes.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

RAÍZES DO ROCK N’ ROLL - parte 6 (COUNTRY e FOLK MEXICANO)


Dando continuidade aos estilos que fazem parte dos primórdios do rock n’roll, nesse mês venho lhes apresentar dois dos mais importantes e relevantes ritmos: o Folk mexicano e o Country.
O folk mexicano será sempre conhecido por uma música tocada até os dias de hoje em qualquer festa de formatura, aniversário e casamento que se preze: ‘La Bamba’. Uma das versões mais conhecidas dessa música é a de Ritchie Valens (1941/1959), considerado o primeiro roqueiro mexicano. O riff de guitarra de La Bamba é referencia para dezenas de músicas compostas nos Estados Unidos desde os anos 50. Passando por vários estilos como o country, rock e punk, ‘La Bamba’ teve sua versão definitiva gravada nos anos 80 pelos Los Lobos no filme homônimo de grande sucesso que conta a fugaz trajetória musical de Ritchie Valens. Outros nomes da música mexicana merecem destaque: Trio Los Panchos, Herb Alpert e mais prá frente na história, o exímio guitarrista Carlos Santana.
Música caipira, interiorana, do campo. Assim é chamada, muitas vezes pejorativamente, a country-music. Contemporâneo da folk-music, o country tem uma característica mais descontraída, informal e é quase sempre executado despretensiosamente. O primeiro nome do estilo que se tem conhecimento é o do violinista Fiddlin’ John Carson (1868/1949) que com o disco ‘The Little Old Log Cabin On The Lane’ de 1924 deu o pontapé inicial para que mais tarde o produtor Billy Peer usasse o termo hillbilly para designar os músicos caipiras americanos. O cinema dos anos 20 também foi invadido pelos atores-cantores chamados de singing-cowboys. Roy Rogers (1911/1998), Gene Autry (1907/1998) e Tex Ritter (1905/1974) são alguns desses nomes que faziam a alegria das chamadas matinês.
Um dos pioneiros do country que mais influenciou o rock n’roll é Jimmie Rodgers (1897/1933) que fez um amalgama dos ritmos blues, jazz, folk e yodel. Tal música era executada principalmente no estado do Tenessee, principalmente em cidades como Memphis e Nashvile. Rodgers chegou a gravar com grandes músicos de jazz, dentre eles Louis Armstrong e Earl Hines. Entre suas principais composições estão ‘Long Tall Mama Blues’ e ‘Mule Skinner Blues’. Outros nomes que merecem ser citados são os de: Jim Reeves (1924/1964), Merle Travis (1917/1983) e Hank Williams (1923/1953). Esse último é conhecido por ser o pai do country moderno, sendo regravado por Carpenters e Isaac Hayes.
Dois estilos derivados do country são: o country-rock e o rockabilly, que dissecarei mais adiante.

*Rodrigo Lee é músico e admirador de Rock n’Roll e suas vertentes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A RAINHA DO ROCK BRASIL (parte 1)


por Rodrigo Lee*

Ao longo das ultimas quase quatro décadas Rita Lee tem sido eleita a rainha do Rock Brasil. Até quando seremos enganados? Ela já não carrega mais esse título há pelo menos vinte e cinco anos. Isso se pensarmos que o seu ultimo disco de rock n’ roll foi gravado no inicio dos anos 80. De lá prá cá ela lançou inúmeros discos do mais descarado pop. Muito disso se deve à insossa parceria que Tia Rita fez com seu marido e músico(!?) Roberto de Carvalho. O cara teve a capacidade de exigir que seu nome fosse impresso nas capas dos então LP’s. Assim o que se via na capa de tais discos da “nossa rainha do rock” era “Rita Lee & Roberto de Carvalho”. Bom, é claro que ela permitiu tal coisa. A verdade é que Roberto ‘Yoko Ono’ de Carvalho sempre foi um músico medíocre que fazia parte da banda de apoio de Rita Lee nos seus tempos como vocalista da banda Tutti Frutti. Esse sim, um grupo de rock do qual Rita Lee Jones fez parte nos anos 70, logo após deixar os Mutantes dos lesados irmãos Arnaldo Baptista e Sergio Dias. Voltando ao Sr. Roberto de Carvalho, aos poucos ele pôs as asinhas de fora, passou a compor, tocar e até dar pitacos na produção dos discos de Rita. Daí para ter seu nome ao lado do de Rita Lee era apenas uma questão de tempo. E isso passou a ser uma constante a partir do disco de 1982 que vinha com os “rock’s” ‘Flagra’, ‘Só de Você’ e ‘Cor-de-Rosa Choque’. Isso sem contar a participação efetiva do “roqueiros” do Roupa Nova e João Gilberto(!). Nos anos seguintes foram lançados outros discos que continham os “clássicos do rock” ‘Desculpe o Auê’, ‘Noviças do Vício’, ‘Buana Buana’, etc. No entanto o atestado de ex-rainha do rock Brasil foi o LP ‘Rita Lee em Bossa n’ Roll’. Era um disco ao vivo com apenas dois violões executando seus pseudo-rock’s em ritmo de...bossa nova! Daí em diante a coisa só foi piorando, pois sua credibilidade como roqueira foi por água abaixo e nem as músicas pop lançadas pelo casal faziam mais efeito. Consequentemente o que aumentou foram os discos ao vivo com seus grandes sucessos requentados em forma “acústica” ou “elétrica”. Quero deixar bem claro que eu sou fã de Rita Lee e tudo que aqui está escrito vem com o embasamento de possuir todos os discos de sua carreira solo e também de sua fase realmente roqueira à frente da banda Tutti Frutti. Admiro também a fase pop da mesma. A questão é que talvez deveríamos coroá-la então como rainha do pop-Brasil e não do rock.

*Rodrigo Lee é músico, crítico musical e admirador de todas as vertentes do Rock n’ Roll.
rodrigo_lee@hotmail.com